quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Assim como um pássaro deslizando no ar
Meus dedos escorregam pelas cordas do violão
E assim como ele pode ir aonde quiser
Minha alma viaja a lugares intangíveis à razão.

Se uma andorinha pode sentir o mundo
Quando voa por aí numa tarde de verão
Então eu me sinto além de mim
Enquanto minhas emoções se propagam pelos ares
Pela minha voz, pelos arrastos aveludados ou estridentes de uma palheta.

Não há inveja entre eu e um passarinho
Meu vôo é a música e a liberdade meu destino
Como vento, minhas notas o impulsionam a chegar mais e mais longe
E, juntos, sumimos no horizonte.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Como diria alguém que conheço, esse foi um "poema espontâneo" ^^



Tenho sede de poesia
Uma sede que mata a asia
Do que há de ruim no dia-a-dia


Me lava de fantasia
Fui, não vou, porque eu ia
Confusão essa que eu lia
O que é mesmo que eu dizia?


Vou tocar meu violão.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Curioso. Um dia ouvi uma pessoa falar que são nas aulas mais chatas que saem as melhores produções artísticas, como lindos desenhos feitos em cima de fórmulas químicas, poemas escritos no canto daquela página cheia de nomes complicados pra decorar ou letras de música perdidas nas folhas do caderno. Não que fosse uma aula tão chata assim, nem que seja um ótimo poema o que escrevi, mas na aula de Geologia o professor disse que o Brasil é pobre em cobre (minério), então logo me surgiu na cabeça "jogar" com essa ideia:


Brasil,
Pobre em cobre,

Cobre a fome,
A negligência e a corrupção
Cobre atitude,
Cobre o teto de vidro da nação.

sábado, 5 de maio de 2012

A felicidade está sempre batendo à minha porta (muitas vezes convido-a pra tomar um chá e até pergunto se ela quer dormir no quarto de visitas), mas daí chega o medo na manhã ou na tarde seguinte e parece que ele me penetra de uma maneira que faz com que eu consiga ver só ele, a mais ninguém. Mas logo esse efeito passa. Questão só de ele dar um tropeção e deixar cair umas lindas flores de um vaso que ele mesmo tenha quebrado. Aí então pergunto pra ele porque ele não gosta de mais companhia além de mim, como o amor, a felicidade e meus valores que mais importam. E ele nunca responde isso, sempre sai correndo porta a fora (a alegria, a amizade e o amor sempre comentam, quando chegam logo depois pra conversar comigo, que o viram sair com lágrimas nos olhos). Acho que ele tem medo de mudar. Estranho, né, o medo ter medo...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Perfeito Impreciso


Vida.
Histórias ou estórias?
Sei que tudo não é perfeito,
Mas e os momentos bons,
E o que é bem-feito?

Ignorância humana colocar tudo
Dentro de conceitos.
O que é exato é nulo.
O cotidiano é disperso, livre, impreciso.
O que é menos preciso que um pensamento,
Um sentimento, palavras, ações, gestos, olhares,
Lugares, descrições?
Isso é ser perfeito ou imperfeito?

Visões.
Está aí a palavra (exata?).
É errada, em outros sentidos,
Mas o que é preciso é o preciso
E a perspectiva dita o que é real,
O que é mágico,
O que é bom ou o que é ruim.
Cada história é feita de escolhas,
Delgadas pontes que montamos e desmontamos,
Admiramos ou atravessamos.
É sábio quem sabe a hora de dizer não e de dizer sim.

sexta-feira, 9 de março de 2012


Chamei um mar de tristeza
Pra afogar meu sofrimento
Fazer de mim alguém melhor,
Liberar meu sentimento.

A flor desabrocha
E meu canto engasga
Meu canto mudo,
Minha dor calada.

Desenrola, menino,
Desenrola!
Não seja carriola
Empurrada por um qualquer.

Bem me quer,
Mal me quer.
Eu bem me quero
Feliz espero
Estar sempre
Contente
Voar...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Renascimento

Complacente sol nascente,
Pensei que partirias pra sempre
Depois que te vi ontem
Sumindo no horizonte.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Soneto (talvez o primeiro)

     Um soneto que fiz hoje. Estava com muita vontade de escrever em uma forma moldada, com rimas e tudo, exercitar um pouco. Acho que foi porque li um texto do Mario Quintana no qual discursava sobre a arte de ser poeta e que todo grande escritor de poesias começava fazendo sonetos. Li uns sonetos dele e vi que a estrutura e as rimas parecem que fazem soar aos ouvidos como música, como uma pequena brincadeira encantadora de combinar, de jogar com as palavras, de mexer com as emoções. 
     Aí vai minha pequena arte.


Caminhando sem rumo

A lua se pôs
Mas a luz não veio
Ficou pra depois
Do meu devaneio

Em estradas além
Sentia-me só
Cruzando com quem
De mim tinha dó

O medo era estrada
Amor era senda
Escolha era dada.

Angústia, entenda,
Esteja calada
E me compreenda.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estava eu andando encantado por aquela ruazinha. Já passara várias vezes por ali, mas dessa vez eu queria observar cada detalhe. Foi quando meu olhar, enlevado pelas árvores e flores que enfeitavam tão singelo espaço humano, cruzou com o de uma graminha, daquelas bem pequenas que crescem entre os ladrilhos da calçada. Ela tinha um ar bondosamente preocupado e com sua voz meiga me alertou: "não, não olha tudo hoje não. Amanhã tu passas aqui de novo e não tens em que reparar. Deixa pra amar uma coisa de cada vez".
Que sábias são essas graminhas que a gente quase não vê. Será que ela sabe que aquele dia foi ela quem eu amei?

domingo, 22 de janeiro de 2012

Um dia ele resolveu olhar para a lua
E fez a mais linda declaração de amor:
"Estou vivo!"

domingo, 15 de janeiro de 2012

Não, não, o coração não é cego, é só que em alguns momentos ele consegue ver mais do que os olhos da mente. Na verdade, cegos somos nós nas vezes em que não o ouvimos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Verdades e Verdades...

Você se acha capaz de dizer que existe uma verdade na vida?
Há muitas pessoa que chamam de prepotentes aquelas outras que estabelecem um conceito, uma ideia ou um objetivo como verdadeiro em sua vida, e dizem não haver uma verdade. Mas quando esses acusadores afirmam veementemente que "não há uma verdade" eles estão paradoxalmente estabelecendo sua própria verdade.
Talvez muitas vezes a melhor reposta para uma pergunta seja "não sei", mas isso não quer dizer que não vivamos cada um de acordo com sua verdade.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Medo de amar


Do sofrimento resta  a cicatriz.
No momento da desilusão

Um filho se gerou
Do âmago da dor, da angústia.
Filho bastardo
Do amor com o destino,
O medo.


O medo de amar,
O medo de sofrer,
O medo de chorar,
O medo de viver.
Um medo inerte de ser
Que torna-se, na cegueira da escolha,
um apático estado de alma,
Nulo, escuro.


É a jaula que prende
E a capa negra que
Envolve e sufoca o coração.
Bloqueia, congela e impede
A alma de toda e qualquer palpitação.


Lastimáveis são os momentos perdidos
Sorrisos não são dados,
Palavras não são ditas,
Abraços não unem.
Desconsolado e carente
Um corpo doente
Se nega a aproximar-se de uma fogueira
Numa triste e fria noite de sua vida.


Contudo, que sentido tem se entregar?
O que é o medo se não um adiamento da felicidade?
Quais as chances dele contra a coragem, a fé e o amor?
Pode ser que ele impeça o brilho de alguns momentos
E que faça o coração pedir pra respirar,
Mas dentro de cada um há uma chama,
Que nada nunca será capaz de apagar
E basta um simples vestígio de vontade
Pra fazer o sol renascer e começar a iluminar.


Ninguém deve esquecer essa chama,
Apesar dos truques do medo na mente,
Que criam a ilusão de que não há fim para o sofrimento.
Há sim.
É questão de fé nesse fogo.
Alguns o chamam de amor, outros de esperança,
Confiança, coragem ou o que esteja faltando.
Mas o importante é que essa é a força motriz de cada ser
E nada a fará parar de girar.
É só acreditar
E então ao rosto voltará um sorriso de uma criança. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Folha de papel

Branco papel brando,
Bravo triste pedaço de mágoa,
Marcam-te pra te fazer algo.
Algo que ninguém quer ser,
Nem mesmo tu.

Riscos perfeitos, letras desleixadas,
Todo e cada rabisco te dá valor,
Triste pobre folha de nada.
Ninguém te olha
Se não representas,
Se não transmites.

Mas, me desculpa se te ofendi,
Tu és mesmo triste?
Se tens um simples rosto,
Ou mesmo um desgosto,
Gravado em teu frágil corpo,
Torna-te precioso.

Sim,
Tu és guardado, zelado,
Amado e odiado.
Fora uma simples folha,
Mas te tornaste puro sentimento,
Memória e criação.
Podem te rasgar, queimar ou jogar fora,
Mas, pensando bem,
Não és triste.
És sim feliz e sereno,
Pois, acima de tudo,
Tens em ti a pulsar um coração.