segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Soneto (talvez o primeiro)

     Um soneto que fiz hoje. Estava com muita vontade de escrever em uma forma moldada, com rimas e tudo, exercitar um pouco. Acho que foi porque li um texto do Mario Quintana no qual discursava sobre a arte de ser poeta e que todo grande escritor de poesias começava fazendo sonetos. Li uns sonetos dele e vi que a estrutura e as rimas parecem que fazem soar aos ouvidos como música, como uma pequena brincadeira encantadora de combinar, de jogar com as palavras, de mexer com as emoções. 
     Aí vai minha pequena arte.


Caminhando sem rumo

A lua se pôs
Mas a luz não veio
Ficou pra depois
Do meu devaneio

Em estradas além
Sentia-me só
Cruzando com quem
De mim tinha dó

O medo era estrada
Amor era senda
Escolha era dada.

Angústia, entenda,
Esteja calada
E me compreenda.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estava eu andando encantado por aquela ruazinha. Já passara várias vezes por ali, mas dessa vez eu queria observar cada detalhe. Foi quando meu olhar, enlevado pelas árvores e flores que enfeitavam tão singelo espaço humano, cruzou com o de uma graminha, daquelas bem pequenas que crescem entre os ladrilhos da calçada. Ela tinha um ar bondosamente preocupado e com sua voz meiga me alertou: "não, não olha tudo hoje não. Amanhã tu passas aqui de novo e não tens em que reparar. Deixa pra amar uma coisa de cada vez".
Que sábias são essas graminhas que a gente quase não vê. Será que ela sabe que aquele dia foi ela quem eu amei?