Bravo triste pedaço de mágoa,
Marcam-te pra te fazer algo.
Algo que ninguém quer ser,
Nem mesmo tu.
Riscos perfeitos, letras desleixadas,
Todo e cada rabisco te dá valor,
Triste pobre folha de nada.
Ninguém te olha
Se não representas,
Se não transmites.
Mas, me desculpa se te ofendi,
Tu és mesmo triste?
Se tens um simples rosto,
Ou mesmo um desgosto,
Gravado em teu frágil corpo,
Torna-te precioso.
Sim,
Tu és guardado, zelado,
Amado e odiado.
Fora uma simples folha,
Mas te tornaste puro sentimento,
Memória e criação.
Podem te rasgar, queimar ou jogar fora,
Mas, pensando bem,
Não és triste.
És sim feliz e sereno,
Pois, acima de tudo,
Tens em ti a pulsar um coração.
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