Interiorizar-se é como adentrar a
mata fechada – uma floresta com árvores de muitos tipos e tamanhos,
trepadeiras, cipós, insetos, borboletas, aves e, por vezes, grandes feras. É
ter contato com tudo que cresce e tudo que há dentro de si – é um fluxo de
energia constante presente nos pensamentos, sentimentos, memórias. Ser ou estar
introspectivo é se encontrar em meio a essa densa floresta interior.
Contudo, há o movimento
contrário: mostrar-se, expor-se, dar-se ao que está fora. É como andar em meio
a um descampado – um verde imenso no chão, o céu completamente à vista e você
exposto, vulnerável, à mostra. Você pode correr, gritar, ser. É o
exteriorizar-se, a ação espontânea, o agir sem racionalizar. Estar em campo
aberto é dar-se às trocas, é entregar-se aos encontros.
Dentro, você vê a si mesmo e
ninguém pode vê-lo. Fora, a exposição é total e o contato interior é deixado.
Um comentário:
(08/12...)
o processo é interno demais para ser exposto
machuca quando tocam,
sufoca!
e as cores se misturam,
fica tudo tão confuso
que qualquer pintura,
qualquer desenho sairá difuso.
pensando com cuidado
ela percebe que
o processo é uma constante,
já vem de muito antes
(desde quando pequenina)
e ela precisa aprender a lidar
com tudo isto sozinha.
é de paz interna que ela fala,
vida efêmera, borboleta,
que só se sente transformada
quando se liberta,
se movimenta.
ela só não quer justificar o que é belo, o que sente, e o porque do choro
ela quer apenas admirar, quer sentir, e quer chorar, sem esperar nada do outro.
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