quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dentro e Fora

Interiorizar-se é como adentrar a mata fechada – uma floresta com árvores de muitos tipos e tamanhos, trepadeiras, cipós, insetos, borboletas, aves e, por vezes, grandes feras. É ter contato com tudo que cresce e tudo que há dentro de si – é um fluxo de energia constante presente nos pensamentos, sentimentos, memórias. Ser ou estar introspectivo é se encontrar em meio a essa densa floresta interior.

Contudo, há o movimento contrário: mostrar-se, expor-se, dar-se ao que está fora. É como andar em meio a um descampado – um verde imenso no chão, o céu completamente à vista e você exposto, vulnerável, à mostra. Você pode correr, gritar, ser. É o exteriorizar-se, a ação espontânea, o agir sem racionalizar. Estar em campo aberto é dar-se às trocas, é entregar-se aos encontros.


Dentro, você vê a si mesmo e ninguém pode vê-lo. Fora, a exposição é total e o contato interior é deixado.

Um comentário:

Flor disse...

(08/12...)

o processo é interno demais para ser exposto
machuca quando tocam,
sufoca!
e as cores se misturam,
fica tudo tão confuso
que qualquer pintura,
qualquer desenho sairá difuso.

pensando com cuidado
ela percebe que
o processo é uma constante,
já vem de muito antes
(desde quando pequenina)
e ela precisa aprender a lidar
com tudo isto sozinha.

é de paz interna que ela fala,
vida efêmera, borboleta,
que só se sente transformada
quando se liberta,
se movimenta.



ela só não quer justificar o que é belo, o que sente, e o porque do choro
ela quer apenas admirar, quer sentir, e quer chorar, sem esperar nada do outro.